31 janeiro 2011

Mimesis

Lembro muito bem de uma aula que tive na faculdade que falava de... bem, talvez eu não lembre da aula, ou do que ela falava, mas lembro da "Mimesis". Era uma dessas palavras estranhas que carregam um significado tão forte e que te pega tão de sopetão que você acaba levando pra sua vida. A nossa memória é engraçada. Às vezes gravamos a coisa da maneira errada, mas é como gostamos de lembrar. A definição que gravei na minha cabeça é: "Mímesis é imitação da natureza. É a arte que imita a vida, que imita a arte". Que coisa louca, não?

Ora, mas no fundo é Caetano dizendo que somos o avesso do avesso. E, no fundo, somos nós que tentamos complicar a vida. Vivo recebendo aqueles e-mails que dizem como devemos viver e como a vida é bela e simples. E como não olhamos para aquela maravilhosa montanha (ou até a aurora boreal!!!) e nos deleitamos com essas paisagens todos os dias.

Não sei você, mas a minha realidade tem paisagens muito menos exub
erantes! Além disso, os textos que acompanham as imagens falam de ver as coisas simples e boas da vida, mandar cartas para os amigos, meditar, não se magoar nem abalar pelas coisas que nos acontecem no dia a dia, além da clássica "não guardar extratos e contas". Novamente eu digo, não sei de você, mas a minha rotina não me permite o luxo de não me preocupar com as minhas contas e não ter algumas destas responsabilidades.

No final das contas, acho que me considero uma pessoa normal. Não sou estressada com as contas que vencem e gosto de ver coisas no dia a dia como aquela folha que gira como hélice quando a gente joga ela pra cima.
Sim, eu também vejo as coisas bonitas que consigo achar no meu dia.

Até que ponto somos influenciados a imitar o que vemos na mídia? Chegamos a mais uma onda "BBB". Tenho um gosto particular em entender as relações humanas, mas não consigo deixar de achar um absurdo que o "Grande Irmão" de George Orwell, que retrata o inferno na terra e a falta de liberdade de pensamento, seja posto agora como um modelo atual que as pessoas gostam e seguem. Se você não leu 1984 e nem viu o filme, sugiro que o faça. Depois de conhecer o universo deste livro, como é possível achar "BBB" legal? São pessoas comuns levando o conceito "mimético" ao extremo!

A questão toda é que as pessoas desistiram de procurar no seu íntimo pelo seu desejo. No geral, estamos mais conformados em seguir os modelos estabelecidos, que fazer essa busca pessoal por aquilo que nos trás alegria.
Só sei que alguns modelos não me convencem. Quero mais é partir pra busca da minha felicidade real. É uma aventura...

27 janeiro 2011

Amar é...

As pessoas têm uma visão muito distorcida e medrosa do amor. Sou uma daquelas que ama todo mundo. Mesmo tendo sido muito calejada pela vida, acho que não perdi o olhar simplista de uma criança, nem o sentimento. Se gosta, gosta. Se não gosta, não gosta. Qual é o grande problema em gostar de alguém?

Entendo que se quero alguém na minha vida (e nem precisa ser pra sempre), então a amo. Não acho que o amor seja atrelado a nada além disso.
Pode ser que existam "níveis" de amor, de paixão, de desejo, mas pra quê complicar tanto as coisas? "Adoro, mas não amo. Quero o bem, mas não gosto." E por aí vai... Amar é muito mais simples que isso, não precisa argumentar, racionalizar nem entender, apenas buscar no seu íntimo.
Amar é se jogar sem medo na vida e se deixar sentir aos outros na sua forma mais plena. Nunca entendi bem essa coisa de que o amor vem do coração. Talvez pela forma como flui e transmite energia ao corpo, mas isso também é só mais uma teoria.
Particularmente, busco muito mais por compreensão que amor. Quando a gente se sente compreendido de verdade, o amor já está lá. A compreensão, diferente do amor, não funciona sozinha.Posso amar alguém sem compreender ou me sentir compreendido. É possível amar alguém e não ser correspondido, mas não dá para compreender alguém que não queira ser compreendido ou visto em essência. É muito mais profundo e exige muito mais empenho (e sentimento).
Eis o que eu acho: a compreensão, essa sim, é o melhor sentimento do mundo. A compreensão faz com que a gente se sinta menos sozinho no mundo.

É, acho que era isso o que eu tinha pra dizer... Alegre

Good Vibrations

Não sou, nem nunca fui, uma pessoa de crença, de fé. Não acredito nas coisas que dizem por aí, não gosto de religiões em geral, não rezo. Acredito, no entanto, que somos abastecidos de energia. Acredito, também, que as relações humanas entre si e com a natureza podem render energia extra ou esgotar a energia de alguém. Quem nunca se sentiu fraco depois de uma discussão, sem disposição e energia pra nada? Ou mesmo no trabalho, quando se sente esgotado em todos os sentidos. Bom, nisso eu acredito.

Pra mim Deus é essa energia. Ele não é um ser personificado, barbudo, que julga e pune as pessoas. Acho que existe sim uma vibração pulsante que nos abastece e interliga a todos, algo como o que chamam de “Superior”.

Ultimamente vem-se falando muito no tão esperado dia 21 de dezembro de 2012. Primeiro me sinto no dever de compartilhar que dia 21 de dezembro foi o dia que o meu pai morreu, em 1995. Desta forma, a data em si já me traz um significado. Porém não creio em cataclismos, julgamento final, catástrofes e fim do mundo.

Nos últimos anos pesquisei sobre religiões, assisti a documentários polêmicos, fui a centros espíritas, li livros e pensei muito. Aliás, mais que pensar, vivenciei muito as minhas próprias experiências conscientemente.

Eis que tudo isso culmina para uma mesma coisa: energia e evolução.

O documentário Zeitgeist, que já de cara mete os dois pés no peito nas crenças religiosas, explica astronomicamente o que é o 2012. Vale a pena assistir, mas o resumo disso é que Hórus (Egito), Mithra (Pérsia), Dionísio (Grécia), Krishna (Índia), e outros tantos como Jesus, todos nasceram anunciados por uma estrela no dia 25 de dezembro de uma virgem, operaram milagres, tiveram 12 discípulos, foram crucificados, morreram e ressuscitaram depois de 3 dias.

A explicação disso vem da compreensão do homem sobre o Sol e a vida que ele possibilita para nós. Sem sol, sem vida. É por isso que ele foi idolatrado e endeusado por diversas culturas. Antigamente usava-se muito das personificações para criar mitos que passassem essa compreensão adiante de forma mais lúdica através das gerações.

Foi assim que o sol, anunciado pela estrela Sírio – a mais brilhante – nasce no céu noturno do dia 24 e se alinha a três outras estrelas – Três Reis - conhecidas aqui como “Três Marias”. Assim, pelo alinhamento que aponta o nascimento do Sol, os Três Reis “seguem” a estrela Sírio. A Virgem Maria é a constelação Virgo, que tem por símbolo um virgem segurando trigo. Virgo é também conhecida por “Casa do Pão”, que representa Agosto e Setembro – meses de colheita . Jesus nasceu em Belém, certo? Belém vem da tradução de Bethlem, que por sua vez significa “Casa do Pão”. Ou seja, Belém é um lugar no céu, não na Terra.

Por três dias, o Sol se mantém na Constelação de Crux “parado” depois de ter se movido por seis meses na direção sul. Isso simbolizava a morte das colheitas. Depois desses três dias, porém, ele renasce ao norte, trazendo época de dias mais longos e colheitas melhores. Entendeu?

Bom, 2012 é o ano previsto para o final da Era de Peixes e início da Era de Aquário, uma era que visa “humanidade”.

Séculos de história nos mostraram como nos submetemos por tanto tempo ao poder da palavra da Igreja. Deus, aquele barbudo com chicotinho na mão, era o responsável por tudo de bom ou ruim que acontecesse. A população nascia numa determinada camada social que seria a sua para o resto da vida. Não havia ascensão de status, mas todos estavam amparados e acolhidos por Deus.

Depois da Inquisição e de uma Igreja desmascarada por Martinho Lutero, esse poder diminuiu e os questionamentos começaram. De repente as pessoas não se sentiam mais amparadas por Deus, afinal toda a fé que depositavam na Igreja caiu por terra junto aos padres corruptos, que não seguiam seus votos de castidade e pobreza. A insegurança espiritual levou a uma busca por algo em que acreditar, uma explicação para Deus que não fosse dada pela Igreja. Foi assim que passamos os últimos 600 anos nos acomodando enquanto esperamos por uma resposta. Lutamos pelo nosso espaço, pela individualidade e por uma tecnologia que nos amparasse, já que não havia mais em quem se apoiar.

Hoje, próximos da troca de Era, nos achamos inquietos. Não há mais com o que se ocupar. Descobrimos a ciência, desenvolvemos tecnologia, nos fechamos na segurança de nossas casas, nos escravizamos num sistema monetário e inventamos várias formas de entretenimento enquanto esperávamos por uma resposta sobre Deus, sobre a vida e todos os porquês.

Não há mais o que buscar. Sobrou apenas essa inquietação. Por quê? Bem, dentre minhas leituras, estamos entrando numa fase acelerada por causa de alinhamentos e do Cinturão de Fótons. Estudamos direitinho no colégio, então lembramos que massa maior atrai massa menor – lei da gravidade – e a Terra é atraída para o Sol. Estamos numa espiral em direção ao Grande Astro, o que vem deixando nossos ciclos menores e mais acelerados. Isso não é percebido, afinal – lei da relatividade – estamos parados em relação à Terra. Porém, vemos vivendo de forma mais acelerada e inquieta.

Depois de tentar entender o cristianismo – nunca consegui -, o budismo, o espiritismo e o espiritualismo, dentre outras, acabei criando uma fé própria. O mais engraçado é que este livro A Profecia Celestina, que eu tanto gostei e que tanto aparece nesse texto, assim como o documentário Zeitgeist culminam para alguns pontos em comum. O mais engraçado ainda é que algumas religiões também falam das mesmas coisas e filosofias.

É tudo uma questão energética. Somos munidos e sugados constantemente de energia. As relações humanas se dão por troca de energia, por aquela empatia ou “química” que nem sempre soubemos explicar. Quando um casal briga, nada mais faz do que disputar energia um do outro.

A Profecia Celestina tem uma explicação excelente para tudo isso. Mas antes, preciso falar de psicanálise explicar Lacan, e como eu , particularmente, interpreto o amor. Até o século passado, o amor era baseado na necessidade. Os casais se completavam: ele trabalha, ela cuida da casa. Essa necessidade mútua funcionava. O amor, hoje em dia, não se baseia mais na necessidade, mas na vontade. Existe individualidade dentro de um relacionamento. Cada pessoa tem suas vontades e princípios, tem seus amigos, passatempos, gostos e necessidades. Desta forma, não dá pra pensar que um relacionamento gera uma nova maneira de ser.

A mulher enfrentou diversos obstáculos para chegar onde está hoje. Temos independência financeira, liberdade de voto, de expressão e de fazer aquilo que nos der na telha! Não precisamos mais de homem, queremos! E é aí que entra o trecho do livro que eu tanto gostei. Nele, um psicólogo explica que a paixão é aquele sentimento que arrebata e nos infla com uma energia maravilhosa. Cada um é como um “C” que tem sua energia rodando até bater numa ponta e depois volta e fica caminhando neste vaivém. Ao encontrar a sua “metade”, os dois formam um “O”. Neste círculo tudo parece perfeito, pois a energia flui continuamente. Depois que passa a paixão, no entanto, as disputas por energia começam e aquele “O” já não funciona mais. Quando dois indivíduos são bem resolvidos quanto às suas necessidades e lidam bem com a forma de obter energia (alimentos, pensamentos, natureza etc), eles já são completos em si. Assim, quando dois “O”s se encontram, um só tem a agregar ao outro. Amar é transmitir e captar energia. Quando dois inteiros se amam, um emana energia ao outro, sem sugá-la.

O ponto que eu queria chegar é que essas pesquisas me levaram a um lugar comum. Mesmo alguns filmes, como Avatar, vêm trazer ao público uma noção de tudo isso que falei. E não só Avatar, mas Matrix, Wall-e (já vou explicar), Zeitgeist e todos aqueles filmes que tentam contar histórias de amor que não pareciam possíveis, mas, por algum motivo, são.

Filmes como Wall-e e Zeitgeist, assim como o tão citado livro A Profecia Celestina, sugerem que temos tecnologia o suficiente para desenvolvermos máquinas que façam tudo por nós até não mais dependermos do sistema monetário e possamos passar nosso tempo como bem entendermos. Utopias à parte, é interessante.

É chegada a hora sermos inteiros. As nossas buscas devem ser feitas com alegria e sem arrependimentos – foi o que tirei do budismo, e acho incrível. Acredito que buscamos a felicidade, mas esta não pode ser carregada de culpa, deve ser limpa e cheia de boas energias.

Mais um dia... (texto de 2008)

Mais um dia, como outro dia qualquer, na casa de algum vizinho copaniano. A vida continua a mesma, exceto por um sentimento estranho que chega acompanhado pela entrada do meu pai pela porta. Somos só nós dois e uma sensação de que a eternidade mora naquele segundo. É quase como um transe e a memória é uma bruma. Entro em estado de um sono tão grande que ele me coloca nos ombros como se eu fosse uma menina de novo, ou como se nunca tivesse deixado de ser, e me leva ao meu apartamento.

Meu pai me coloca na cama e segue em direção à porta. Eu explodo em lágrimas e abro o coração:

- Pai, não me abandona de novo?

Ele se volta para mim, pega um jornal na minha cama que, de alguma forma demonstra meu sentimento em alguma matéria que explicita o assunto.

- Eu não vou à lugar nenhum. Quero viver pra sempre.

E é nesse momento que eu me sinto totalmente amparada, como se nada no mundo pudesse ser ruim. Existem segundos que são tão intensos que nos fazem sonhar como uma vida inteira que não foi ou que pode vir a ser.

Dormir já não me interessava mais, mas fiquei quietinha ao ver que meu pai sentou na minha escrivaninha. O modo como se identificava com qualquer material que pudesse produzir arte é incrível. Ele pegava os materiais com confiança, como se fossem seus e soubesse exatamente o que fazer em seguida. Fiquei em êxtase, pois sempre quis vê-lo pintando. Sem interrompê-lo, comecei a procurar por papéis na minha pasta, pois sabia que não eram fáceis de achar e, também, porque sentia certa vergonha da minha arte guardada lá dentro.

Então o desenho foi terminado: um frame tirado de um desenho animado qualquer que envolva ursos em estantes embaixo de uma lamparina. Definitivamente eu não esperava por isso, mas não podia ser mais fofo. Na estante desenhada haviam vários brinquedos, mas um em especial ele me apontou: ficava no cantinho e mal se notava. Era uma boneca de pano velha. Apenas sorri e tirei de trás do travesseiro a original. Eu também não tinha esquecido e ela ainda estava comigo todos os dias.

Depois de sentir que tudo isso era real, a vida começou a entrar nos eixos. Como um ótimo cozinheiro, meu pai já quis saber o que havia na despensa pois pretendia fazer o jantar.

Descemos na garagem para ver a despensa e pegar algo que nos fosse útil. Nesse momento uma amiga chegou. Meu pai nos deixou lá embaixo e subiu para começar o jantar. Ela precisava pegar algo no carro e eu precisava relatar os últimos acontecimentos!

Havia uma fila para pegar carros e, sem perceber, entramos nela e ficamos lá conversando. Em um dos pilares apareciam números decrescendo conforme as pessoas pegavam seus veículos. Era uma incógnita como os manobristas simplesmente sabiam os números, que mais pareciam códigos de barra, sem perguntar nada a ninguém. E de repente olhei para aquela contagem regressiva: era minha vez. Foi aí que acordei...

Uma tristeza e indignação me invadiram e eu apenas disse:

- Que mancada... :(