19 dezembro 2011

2011

Tem dia que bate uma tristeza que não dá pra explicar.
Fim de ano sempre acompanha momentos de reflexão... e este ano, em especial, tanta coisa aconteceu.
Pela primeira vez na vida, cumpri várias das minhas resoluções que determinei já na virada...
Ao mesmo tempo foi um dos anos mais difíceis que encarei desde de 2007 (acho que esse ainda é imbatível).

Que ano intenso!

Não quero fazer retrospectiva online, mesmo porque não faz diferença... Mas tem uma coisa que esse ano me ensinou: a gente não pode pedir do outro nada além do que ele é capaz de dar.
Essa foi a lição de 2011. E foi preciso me arrancarem uma felicidade imensa do peito pra eu aprender isso.

É... este foi um ano difícil, um ano injusto. Faltou sincronia.

Teve todo um lado bom... mas, como comecei dizendo, tem dia que bate uma tristeza...

Que venha 2012 e que seja um ano melhor!

30 outubro 2011

Toda Torta

Tenho pensado nessa vida meio torta que sempre tive.

Família meio torta
Relações meio tortas
Torto cada namoro
Empregos meio tortos
Torto até pra estudar
Pensamentos mais tortos ainda...

Como faz pra desentortar?

01 setembro 2011

Sim, isso é um desabafo!



De que adianta a gente saber e aceitar os próprios erros se o resto continua sendo injusto?
Sim, errar é natural... faz parte de todos nós sermos "certos" e "errados" em relação ás normas estabelecidas pela sociedade.
Estou lendo "Efeito Sombra". Muito bom, muito profundo. Entendo que meus "erros" (atitudes naturais a mim, em termos da minha vivência e compreensão dos fatos) estão enraizados na minha bagagem. Entendo também que os erros dos outros vêm da bagagem deles. Mas e aí? Que adianta você reconhecer sua própria sombra e identificar até que ponto o erro é seu e até que ponto o erro é do outro? O outro não vê do mesmo jeito e você ainda sai lesado.E por que os meus erros não podem ser perdoados já que eu tento entender e perdoar os dos outros?
E sem querer me vitimar (pois isso também faz parte da sombra), eu tenho sido injustiçada. Principalmente ao tentar não me envolver em problemas que não são meus e não me dizem respeito. Aí dá margem pra pensarem ou falarem o que quiserem de mim sem eu saber, sendo que eu disse repetidamente que não queria me envolver! Surgem os ciúmes nas suas diversas maneiras, daqueles que imaginam coisas que nunca sequer existiram.... e surgem as mentiras - daqueles que põem a culpa nos outros (no caso, em mim).
Não é a primeira nem a segunda vez este ano que sou injustiçada por algo que não fiz.
Será que meu erro tem sido, então, justamente o de não me envolver na vida dos outros enquanto elas se mantém envolvidas na minha? Minha escolha mais errada foi de confiar no julgamento e nas atitudes alheias. Foi ter fé de que as pessoas saberiam os caminhos a tomar, as conversas a ter e quais atitudes tomar em suas vidas. Fiz as minhas escolhas.... cuidei de mim e confiei.  
Por que então é tão difícil assim me manter plena (ciente da minha luz e da minha sombra)? Será que tem algum ganho além da minha evolução pessoal?
Porque, sinceramente, em termos de convívio, só tem dificultado as coisas. Queria ser mais ignorante e feliz...

Fui colocada em muitas situações - e em muitas me coloquei também, como a sombra... uma opinião num blog, mil devaneios solitários e não compartilhados, a cópia oculta do email... aquela que recebe passivamente as informações e sentimentos/frustrações compartilhados de alguém que confia. E o pior é que pode confiar! Sou de confiança... e descobri algo maravilhoso sobre mim: sou leal. Muito mais do fiel, eu sou leal. E não tenho recebido lealdade em troca.... é por isso que estou pensando seriamente em adotar um cachorro, porque a confiança que eu tinha nas pessoas vem diminuindo a cada dia, tal como a crença da troca sincera.

22 junho 2011

Deus?

"Deus?... Deixe-me dar algumas informações sobre ele. Deus gosta de olhar, é um gozador. Pense: ele dá instintos ao homem. Ele dá esse dom extraordinário e aí o que ele faz? Eu juro que, para sua própria diversão, para sua comédia cósmica particular, ele cria regras em oposição a isso. É a maior piada de todas: Olhe, mas não toque. Toque,mas não prove. Prove, mas não engula... Enquanto você pula de um pé para o outro, o que é que ele faz? Ele fica mijando de tanto rir! Ele é um sacana, um sádico! É um patrão ausente."

Ok, começar um post assim pode ser bem polêmico. Esse é um trecho do filme "Advogado do Diabo", essa fala é do Al Pacino e eu acho o máximo!

Hoje ouvi alguém dizer "Mas Jesus disse que a mulher deve sentir dor ao parir e o homem deve trabalhar para sustentá-la".

Tá bom.... e?

"E... tá na bíblia!"

Tá bom.... e??????

Olha, não é por nada... mas depois do silêncio minha resposta foi "beleza, está escrito na bíblia, mas segue quem quiser seguir. Pra mim, isso é muito machista."

Isso não me faz atéia, faz?

Nunca me dei bem com religiões num geral... acabei me intitulando "Maytista". Apenas tenho uma fé diferente, que não se enquadra em nada que conheci até hoje.

O problema com religião é o mesmo que homossexualismo. A polêmica acabou sendo tão distorcida que hoje existem campanhas contra homofobia, racismo, bullying.... e eu? Quem me defende? Dizem que eu uso muita roupa preta e sou estranha e sem religião... rs.... alguém tá fazendo campanha pra me defender também?

Agora explico o meu paralelo com o homossexualismo: o religioso se enquadra em algo aceito por um grupo que pensa como ele; o homossexual também. Pergunto novamente: e o cara cheio de tatuagens? E o gordinho? E a menina de cabelo azul? Minoria oprimida pro resto da vida? É isso mesmo?

Acho que chegou a hora de cada um entender que respeito ao próximo é NECESSÁRIO, independente das suas escolhas. Quero deixar claro que apoio qualquer tipo de orientação sexual e fé religiosa (se te faz bem...isso que importa).

13 junho 2011

Sobre a leveza

Sabe quando algumas coisas são ditas e você até entende, mas aquilo não te atinge? Aí depois de um tempo algo acontece e te faz compreender com profundidade?
Aconteceu comigo.
Eu compreendi tantas coisas que estou com medo de um surto psicótico ou então de atingir o nirvana... rs
Brincadeira...
O que acontece é que algumas pessoas são de convívio leve e outras não. Tem gente que dá prazer de estar perto, porque o papo é leve, a energia é boa e tudo flui bem.
Comecei a pensar sobre o assunto e cheguei à conclusão que somos todos fruto daquilo pelo o que passamos. Somos um resultado da nossa bagagem. O que pensamos, filosofamos, como agimos, do que gostamos (ou não) etc. A questão é o quanto dessa bagagem influencia nosso cotidiano. Acho que invade um bocado! Só que eu deixei a minha invadir a minha leveza. Mas tem como sair disso? Tem como agir com leveza carregando bagagem pesada? Acho que sim! :)
Resolvi fazer o teste. Na última semana tenho tentado ser uma pessoa de convívio leve... Olha, descobri que é muito possível, só que os meus amigos estão estranhando! rs
O livro "A Insustentável Leveza do Ser" de Milan Kundera, trata da dualidade do ser. Da escolha de se viver com peso ou leveza. Esse livro, de repente, fez sentido. Até tentei resgatar da estante e descobri que (provavelmente) emprestei. Se estiver com você que me lê, quero de volta! rs
Em resumo, estou na descoberta da diferença da futilidade para a leveza. Tem sido bom. Tende a ser melhor!
É isso aí... vamos que vamos!

07 junho 2011

Dia dos Namorados

É uma data comercial, os shoppings lucram e blablablá... conhecemos a ladainha toda. A questão que enche o saco, no entanto, é a quantidade de vezes que esfregam na  tua cara que você está solteiro, como se isso fosse ruim.
Meio "Sex and the City" da minha parte, eu sei. Mas sou solteira, sim. E assim pretendo ficar por um tempo. Nada de errado em querer se descobrir e se consertar sozinha. E olha que tem MUITOS reparos a serem feitos por aqui.
Eu adoro uma frase da série "Dexter" (que eu vi todas as temporadas e super recomendo) que o Dexter diz:  I chose Rita because she is, in her own way, as damaged as me.


Acho que sou diferente demais, porque nunca achei alguém "as damaged as me". 
Ouvi todo um repertório de coisas que faço de errado - bons amigos servem pra isso. No meu último relacionamento, tenho certeza: se não errei da primeira vez, certeza que destruí qualquer chance que pudesse existir agora. Banquei de louca... 
Tentei, eu juro que tentei, praticar o exercício do desapego, me convencer de uma série de coisas, mas com esse tá difícil. Perdi o controle da situação e tudo foi por água abaixo. Uma pena... preferia que a coisa toda tivesse sido diferente, porque dói quando a gente realmente gosta.


Não vou poder deixar de citar o livro da vez "A Arte de Amar" (DE NOVO). É que algumas pessoas só vêem a superfície da outra e, assim, só enxergam as diferenças; enquanto outras - que olham o núcleo, conseguem ver a imensidão de semelhanças que as únem. Estas, são capazes de amar com mais facilidade, pois o amor, tal como exercício difícil, é melhor praticado na base das semelhanças que das diferenças. Quando um enxerga a superficie e o outro o núcleo, uma simples fala pode ser algo no ambiente comum ou algo extraordinário. 


Nesse dia dos namorados, só quero não querer nada.

31 maio 2011

Um desastre!

"Com relação especificamente ao amor, isso significa:  o  amor  é  uma   força   que  produz  amor; impotência é a incapacidade de produzir amor. Este pensamento foi belamente expresso por Marx: “Imaginai — diz ele — o homem como homem e sua relação com o mundo como uma relação humana, e só podereis trocar amor por amor, confiança por confiança, etc. Se quiserdes gozar a arte, devereis ser uma pessoa de preparo artístico; se quereis ter influência sobre outras pessoas, devereis ser uma pessoa que tenha sobre outras pessoas influência realmente estimulante e promotora. Cada uma de vossas relações com o homem e com a natureza deve ser uma expressão definida de vossa vida real, individual, correspondente ao objeto de vossa vontade. Se amais sem atrair amor, isto é, se vosso amor é tal que não produz amor, se através de uma expressão de vida como pessoa amante não fazeis de vós mesmo uma pessoa amada, então  vosso amor é impotente, é um desastre.”

É a segunda vez que leio "A Arte de Amar" e é a segunda vez que essa citação me faz pensar.
Já escrevi sobre amor, já amei (eu acho), já repensei minha visão e descobri que não sei ao certo o que é amar. A única coisa que eu sabia, é que eu era capaz de amar. Aparentemente eu sou um desastre! rs
O amor é algo tão presente como tema das nossas vidas e do cotidiano, que a gente acaba influenciado pela fantasia de como ele devia ser.
Nos filmes é sempre mais fácil. A verdade é que a vida real dá exemplos constantes de como o relacionamento humano é complicado.
Esses dias surgiu um casal novo: ele eu conheço o suficiente, ela não. Bom, a menina conseguiu errar 3 vezes em uma única palavra para uma simples demonstração de afeto. Isso porque ela não o conhece o suficiente. Eu sei que ele acha horrível quem escreve errado, fala tatibitati e morre de saudade depois de 1 ou 2 dias sem se ver. Achei engraçado e trágico ao mesmo tempo. Apesar de errar 3 em 1, é por ela que ele se apaixonou.(Eu, as vezes, erro muito mais)
Aí eu fico pensando, como é possível se relacionar e continuar sendo nós mesmos?  E mais, como é possível  explicar o sentimento humano? Não estou falando de amor, mas de paixão - aquela explosão maravilhosa que a gente sente algumas vezes na vida e que até o ar que a gente respira parece diferente e tudo nos inspira. Ouvi dizer que, quimicamente, a paixão dura cerca de 3 meses. Faz sentido.
Mas e o amor? Porque, ao contrário da paixão, ele é tão difícil de explicar? Bom, de acordo com o livro "A Arte de Amar" de Erich Fromm, amar é uma tarefa que, tal como a arte, deve ser aprendida e exercitada.
Ele coloca a questão, também, do que é considerado atraente e como buscamos ser atraentes para sermos merecedores de amor.
Pessoalmente, sempre quis ter um amor que fosse mais simples, do simplesmente gostar sem ressalvas. Estou vendo que a coisa é mais complexa. Portanto, deixo o amor em suspenso, porque cansei de sofrer por algo que nem entendo.

16 maio 2011

Tabela

Olha, primeiramente devo dizer que rolou um "bullying" esse final de semana em relação a este MA-RA-VI-LHO-SO blog e à minha pessoa! rs Qualquer tópico da conversa e falavam "Põe no blog...", com o maior desdém.

O pior de tudo é que, nesta noite, um assunto em particular me interessou para o blog: a vida tabelada e programada!

Quando eu era pequena, minhas amigas e eu programamos as nossas vidas. Assim como tantas outras meninas, colocamos no papel a idade em que iríamos casar, ter filhos, netos etc. Programamos como seriam as nossas casas e maridos. A maioria queria ter um marido loiro e 2 filhos: um casal, claro.
Eu me casaria com 24 ou 25 anos, teria meu filho (o menino tinha que ser mais velho pra cuidar da menina!) com 26 e a menina com 28.
É o seguinte: tenho 27, casei bem mais cedo do que esperava, separei mais cedo ainda e agradeço aos céus que não tenho filhos agora. E nem ligo pra loiro ou moreno, só quero alguém que me faça bem.

A vida segue seu rumo e não adianta querer programar, já que até as nossas vontades vão mudando pelo caminho.
Esperar pelo cara perfeito é burrice! Primeiro, porque ele não existe! Segundo, porque a vida passa enquanto se espera algo impossível. Dizem: "Enquanto não vem o cara certo, divirta-se com o errado!".
Particularmente, eu acho que todo cara é o cara certo. Isso porque eu vivo o momento. Se for certo por algum tempo, quem sabe não seja certo por mais tempo ainda? Mas, pra mim, as coisas são finitas e meus planos não vão muito além. Juro que não consigo pensar além dos meus 30. Não faço idéia do que vai ser e não tenho planos porque ainda não tenho vontades...
O que me causa certa revolta é ver algumas pessoas pensando que não podem ficar com esse fulano, porque vai que surge um fulano melhorado lá na frente e "aí já queimei meu cartucho". Deus-do-céu!!!!!!!

26 abril 2011

Nao-Lugar

Isso é só um desabafo de alguém que quer se encontrar amparado pela própria cama e não consegue. Escrevo porque não há nada melhor que se desprender de um pensamento e se sentir mais leve. Parece estranho ou até exagerado pra quem vê de fora, mas a sensação que tenho de não-lugar é forte demais e me deixa em constante escapismo do lugar que era pra ser meu.

Já faz um tempo me sinto sem casa, sem um lugar que faça sentido.
Tenho estado em busca por um lugar que seja meu, que eu queira ter as minhas coisas e que eu encontre a minha paz.

18 abril 2011

Necessito

Necessito escrever um pouco, só pra direcionar os pensamentos para outra coisa que não seja o que venho pensando.
Não, eu não quero me matar e não estou pensando nisso. rs (só pra esclarecer)

E, não, não estou sofrendo por amor nem angústia nem nada disso, só estou cansada.

Acho que preciso de férias. Preciso fazer NADA um pouco... e, quem sabe, fazer um mergulho profundo e achar algumas respostas dentro de mim. De um mês pra cá, já encontrei muitas. Entendi porque, muitas vezes, faço e ajo de maneira que não entendia antes...
Ainda assim, a busca continua. Não que eu queira buscar a perfeição, acho que isso é inatingível e sem graça. Mas é sempre bom a gente se resolver com as questões pendentes, né?

Venho descobrindo que fatos passados tem uma influência muito maior em quem somos do que eu imaginava.
Olhando profundamente para o modelo que tivemos e o modo como crescemos, é muito mais fácil - apesar de complexo - de entender as ações. E isso vale para quem vive/viveu perto de mim também.
Sim, a gente busca por modelos.... seguimos o modelo dos nossos pais, todo mundo sabe disso. Se eles são separados ou distantes, tendemos a ser distantes ou não acreditar em relacionamentos. Eu tento contrariar as ações dos meus pais. Até certo ponto, eu acho que consigo... mas aí quando olho mais a fundo, descubro que o modelo que deixei de seguir aqui e ali, na verdade é seguido, sim, num âmbito maior e mais complexo (e muito menos óbvio).
É, não é fácil... mas é um caminho válido que resolvi tomar, mesmo que às vezes seja dolorido cutucar as feridas.
Sigo buscando respostas... eu sou assim mesmo! rs

06 abril 2011

Desejo Repartido

LADY MACBETH - Tudo é perdido, quando o desejo fica repartido


Sim, estou lendo Macbeth. Essa frase é genial, gente!!!


Alguém que me conhece do avesso me falou muito sobre o desejo. Não estou falando do desejo carnal, mas do desejo íntimo, de saber o que quer.
Pessoas que negam (ou desconhecem) o seu desejo, hesitam. Elas deixam de agir por puro medo.
Não vou fazer discurso Lacan nem Freud, mesmo porque não é a minha praia. A questão é que algumas pessoas passam a vida toda tentando preencher todos os espaços para não deixar margem pra erro e imperfeição; não aceitam que somos todos imperfeitos e que TUDO BEM!
Olha, só posso dizer que não quero passar minha vida sem saber o que quero. Aliás, eu sei o que eu quero!
Temo por aqueles que passarão a vida sem saber o que querem e tapando todos os buracos enquanto a vida passa... São pessoas que racionalizam tudo por medo de sentir! Qual é o problema em sentir vontade? Não entendo. Essa ansiedade de fazer tudo certo vai levá-las a não fazer NADA. Só lamento.


Quanto a mim, toco a minha vida buscando felicidade sem arrependimentos! 
Momento merchan: para mais sobre o assunto "buscar a felicidade", acesse o texto Good Vibrations, de minha autoria neste mesmo blog! rs É só clicar! :)  rs

05 abril 2011

Merece?

"Many that live deserve death, and some that die deserve life. Can you give it to them, Frodo?
Do not be too eager to deal out death in judgment. Even the very wise can not see all ends."



Senso de justiça, revolta, merecimento. Por que será que algumas coisas me indignam tanto? Essa frase a cima é do filme O Senhor dos Anéis e fala sobre o não-julgamento. Lembro que ela me chamou demais a atenção quando li o livro, em português, claro:


"Merece!? Suponho que sim. Muitos que vivem merecem morrer. E alguns, que merecem viver, morrem. Você pode dar-lhes a vida? Então, não seja tão ávido para condenar à morte em nome da justiça, temendo pela própria segurança. Nem mesmo os sábios conseguem ver os dois lados." 


Quando um sábio da ficção se coloca a dizer que nem os sábios sabem ver os dois lados, você para pra pensar. Claro que minha vidinha não é ficção, muito embora às vezes pareça (bastante)!
Questões como quem merece viver ou morrer não ocupam a minha mente. Não desejo a morte de ninguém e, pelos meus próprios princípios e crenças, não acho que a morte deva ser tratada como punição, nem a vida como bênção.
De qualquer maneira, me chama a atenção como algumas injustiças tão visíveis continuam a acontecer. É impressionante como a postura das pessoas possa ser tão errada e ainda assim sair impune. Não é certo.




Meu senso de justiça é assim mesmo.




Melhor nem começar a divagar...

30 março 2011

Cena - trabalho da pós

Ok: o trabalho era fazer uma sinopse de um filme baseado em alguma cena urbana que eu tivesse visto.



A guerra acabou. Um soldado, em meio à ruínas, encontra-se sozinho na área central da cidade arrasada  por bombardeios que duraram muito mais anos que deviam.
Agora, resta apenas um silêncio empoeirado; uma mistura de terror e paz.
Acabou. Ele pega a navalha, olha seu reflexo na lâmina velha e ali mesmo, cansado e sujo, embaixo de uma sacada aos pedaços, respira fundo, leva a lâmina trêmula ao pescoço e barbeia-se a seco.
É chegada a hora de voltar para casa, para sua família. É chegada a hora, também, de se sentir mais humano, de aprontar a vaidade para aquele abraço caloroso e apaixonado de sua esposa.


28 março 2011

Esperança

Estava lendo um livro meio louco que, de verdade, não estou gostando muito. Enfim, em um dos textos ele fala uma coisa que achei interessante, apesar de nada simples.
O cara diz que nós vivemos de esperança. A palavra vem de "esperar", o que significa que vivemos no futuro, esperando por algo melhor e esquecemos de viver o hoje.
Ok, entendi.
Mas... pergunto: nesse mundo capitalista que vivemos, será que dá pra não planejar tanto o futuro como fazemos?
O cara insiste muuuuito nesse lance de que futuro não existe, só existe o agora.
Ok, novamente, entendi!
Mas e aí? Como que a gente faz? Vira monge? Hippie?
Na boa, a teoria da coisa é legal... a gente tem que parar de projetar a nossa alegria para um dia que nunca chega e começar a ser feliz agora, todos os dia. É simples. Mas como diz o Toquinho, o simples não é fácil! Aliás, o simples pode ser bem difícil!

24 março 2011

Desespero!!!

Por que será que a reação de algumas pessoas em pleno desespero é de rir?
Sabe quando você se sente tão cansado, tão exausto, que já nem consegue mais ficar parado? Parece que o corpo entra em estado de alerta e você se vê energizado de tanto sono. É meio doido, né?

Só sei que, desde que voltei do Rio, o que mais sinto é cansaço. Tudo bem que foi uma avalanche de acontecimentos.
mais fotos: clique aqui 

Pra quem não sabe, montamos o Camarote da Brahma. Sim, eu fui pro Rio no carnaval. Não, eu não fui pra me divertir. Trabalhei pacas, queimei a perna (está machucada até hoje), caí com direito a ralada de joelho, subi lances e mais lances de escada, carreguei coisa, colei uns mil cartões postais em uma estrutura de mais de 14m - com a abençoada ajuda e companhia do André - e voltei pra SP pra mais acontecimentos que me tiraram o resto da energia que tinha me sobrado.

Depois disso tudo, eu merecia um descanso, não?
Não.

Fui jogada num projeto chato que, na verdade, são 18 projetos diferentes. Não consegui passar do 5o, porque sempre volto pro primeiro e acabo ficando mexendo nesses 5 projetos ao mesmo tempo.
É sério, eu só queria algumas noites de sono... Mas já que não tem, o jeito é cair na risada! rs

23 março 2011

Acontece...

Acho que estou ficando viciada em escrever aqui...

22 março 2011

My Path

Tenho uma cabeça que não desliga por natureza, mas tenho pensado mais que o normal sobre a vida. Sobre a minha vida, minha trajetória até aqui.

E devo dizer que, olhando para o meu passado, não tenho muitos arrependimentos. Isso é bom! :)
A felicidade que conquistei até agora foi sempre digna, mesmo que não seja plena, mas eu chego lá!

Disseram que eu preciso me ver melhor, porque sou melhor do que aquilo que vejo. Eu, por outro lado, prefiro sempre olhar para os erros que cometi, para tentar não errar de novo. Apesar de ver isso pelo lado positivo, achou que chegou a hora de parar de olhar pra tudo o que errei e começar a ver tudo o que acertei. E, acredite, a gente acerta mais do que imagina.
Dei sorte na vida, tenho amigos preciosos! Alguns são meio lesados, outros sentimentais, outros carinhosos, outros um pouco distantes, mas todos eles tem uma coisa em comum: eles me entendem! E, melhor, eles me fazem rir. Gosto de rir... rs

16 março 2011

A Bota

Pra mim, levar uma bota é uma coisa cheeeeeeeeeeia de significados. É um momento que marca, sabe?
Levar uma bota pode não significar muito para algumas pessoas, mas é algo que muda o seu dia.
Surgem vários questionamentos, reflexões internas e de como proceder depois.A bota pode mexer com a confiança, alegria e trazer um pouquinho de depressão, afinal é uma coisa que exigiu investimento e que você vê indo pro ralo.
O que vai ser da minha vida depois de mais uma bota? Ah! A lotação do meu armário não gostou muito, mas posso dizer que me sinto poderosa com a minha bota nova.

Você achou que eu tava falando do quê?

10 março 2011

Eu Fico

Coisas ruins acontecem a todo mundo em todo lugar. Pode ter certeza, o seu problema não é o maior do mundo, nem é o meu.
A questão é sair da CNTP (Condições Normais de Temperatura e Pressão - me disseram que é muito "nerd" da minha parte falar assim, mas enfim...). Eu saí da minha condição confortável para experimentos e agora, mais que nunca, sinto que deveria experimentar algo. Morar no exterior? Voltar pro cabelo ruivo? Finalmente encarar um regime? Não sei... aliás, não faço muita idéia, e acho que é essa a vantagem. 
Tenho uma pós que me prende por mais 1 ano e meio, o que me norteia um pouco por moldar asas que não posso usar de imediato, senão eu já estaria sei-lá-onde!
A questão é que a minha cabeça está sempre muito longe, a concentração é algo impossível e comer qualquer coisa parece pedra caindo num estômago retorcido e indiferente. O que pode ajudar na idéia do regime... hã?


Tá, eu já passei por piores... Por MUITO piores, na verdade. Mesmo assim não entendo algumas reações, como essa falta total de apetite e esse sapato velho no estômago, que são novidade pra mim. Não sei porque estou sendo tão chorona e boba. Talvez por ter sido pega de surpresa, talvez por esse ser diferente, talvez por eu estar num momento da vida onde tudo estava finalmente nos eixos e de repente não está. Como se não tivesse esse direito. 
Se tudo está bem é porque tem algo errado. Acho que, apesar das dificuldades no meu trabalho, eu estava bem... O mais engraçado é que eu sempre me achei merecedora de mais, sempre quis mais.... - E por mais presunçoso que isso soe, não é tão assim -  e sempre fiz mais por todo mundo (menos por mim) para um dia ter uma recompensa (que nunca veio)... Já perdi gente demais, metade da minha família já se foi! Até cachorro, coelho e papagaio já foram... Perdi a minha gata recentemente, perdi namorados e marido. Alguns fiz perder, outros perdi sem opção de escolha. Aí fica aquela sensação de total impotência e é sempre inevitável lembrar do meu pai, de como me senti quando o perdi sem nem ter chance de me despedir...


Mas voltando à questão de ser ou não merecedora, recebi uma das mensagens mais lindas na noite passada:


"Você foi sincera e leal. Você foi íntegra e plena. Você foi e é a Mayte. Nós te amamos por você ser você, desse jeito! Sem tirar nem pôr... Não daria para ser menos, esperar menos, se contentar com menos. Você é mais! Merece mais! (...)"


Se fui merecedora dessa mensagem, acho que alguém eu cativei e isso já me vale um monte!
E por mais boba e intensa que eu seja, não acho que vou perder essa mania de amar demais, de me entregar demais e, eventualmente, cativar alguém pra levar comigo pela vida.


Pessoas vêm e vão... algumas ficam. Quem me conhece, sabe: eu sempre fico - mesmo que a outra pessoa se vá.

24 fevereiro 2011

Back on Track

Hoje acordei com uma sensação boa de que as coisas estão, finalmente, entrando nos eixos.
Depois de viver com um fantasma da "não-vida",ou melhor, da vida não vivida, foi bom sentir que realmente estou fazendo o melhor que posso.
Claro que ainda tem várias coisas na minha vida que eu quero ajustar, mas o importante mesmo é que, depois de 4 anos, sinto que me livrei do fantasma.

Outra coisa que venho pensando é o quanto me deixo acomodar. Quantas vezes será que deixei de fazer alguma coisa porque é algo que geralmente não faço? Exemplo: meu quarto sempre foi uma zona! Esse ano resolvi que ia passar a virada do ano com ele arrumadinho! Tenho orgulho em dizer que isso se mantém, mesmo sem perfeição, mas longe de ser o que era. Ontem cheguei em casa morta de cansaço. Olhei a zona que o quarto estava se transformando de novo e, por um momento achei que era isso mesmo, que sempre foi assim e que talvez não tivesse jeito. Aí respirei fundo e decidi que não, que isso não precisa ser assim e que não vai ser assim! Arrumei tudo e fui dormir mais feliz... Tudo bem que a insônia não ajudou em nada na minha noite, mas ainda assim posso dizer: missão cumprida!

Essas mudanças que venho fazendo ainda são muito pensadas. Sair do local conhecido e me aventurar numa pós e em horários que batem de frente com o estilo da empresa que trabalho ainda é difífil. Aí eu penso, o que na vida é fácil? Ainda sinto a necessidade de apoio. Preciso sentir que não estou fazendo merda. Se tomo uma decisão sozinha, fico com a sensação de que pode estar errado e que pode ser uma cagada.
Bom, sou insegura. E não digo "Sou insegura, o que eu posso fazer?" naquele famoso tom conformado. Não. Por enquanto digo que sou insegura, mas consegui tomar passos para não ser e para, um dia, poder bater o pé no chão com as minhas decisões.

Não entendo porque algumas pessoas simplesmente se conformam em ser o que são, mesmo sabendo que isso as faz infelizes. Acho que é da nossa natureza achar que não podemos mudar. Não quero acreditar nisso, apesar de dizer aos quatro ventos que ninguém muda (mas é em outro caso, geralmente digo que ninguém muda ninguém e, nisso, eu bato o pé!)
O importante é que venho na minha eterna busca por felicidade e realização. Falta um tanto, mas sinto que agora entrei na estrada principal. Tenho começado a ter idéia do que quero do futuro. Isso eu nunca soube, mas agora a vista está começando a clarear... É uma sensação já conhecida minha, de um novo universo que se abre ao mesmo tempo em que a amplidão do caminho se estreita.

31 janeiro 2011

Mimesis

Lembro muito bem de uma aula que tive na faculdade que falava de... bem, talvez eu não lembre da aula, ou do que ela falava, mas lembro da "Mimesis". Era uma dessas palavras estranhas que carregam um significado tão forte e que te pega tão de sopetão que você acaba levando pra sua vida. A nossa memória é engraçada. Às vezes gravamos a coisa da maneira errada, mas é como gostamos de lembrar. A definição que gravei na minha cabeça é: "Mímesis é imitação da natureza. É a arte que imita a vida, que imita a arte". Que coisa louca, não?

Ora, mas no fundo é Caetano dizendo que somos o avesso do avesso. E, no fundo, somos nós que tentamos complicar a vida. Vivo recebendo aqueles e-mails que dizem como devemos viver e como a vida é bela e simples. E como não olhamos para aquela maravilhosa montanha (ou até a aurora boreal!!!) e nos deleitamos com essas paisagens todos os dias.

Não sei você, mas a minha realidade tem paisagens muito menos exub
erantes! Além disso, os textos que acompanham as imagens falam de ver as coisas simples e boas da vida, mandar cartas para os amigos, meditar, não se magoar nem abalar pelas coisas que nos acontecem no dia a dia, além da clássica "não guardar extratos e contas". Novamente eu digo, não sei de você, mas a minha rotina não me permite o luxo de não me preocupar com as minhas contas e não ter algumas destas responsabilidades.

No final das contas, acho que me considero uma pessoa normal. Não sou estressada com as contas que vencem e gosto de ver coisas no dia a dia como aquela folha que gira como hélice quando a gente joga ela pra cima.
Sim, eu também vejo as coisas bonitas que consigo achar no meu dia.

Até que ponto somos influenciados a imitar o que vemos na mídia? Chegamos a mais uma onda "BBB". Tenho um gosto particular em entender as relações humanas, mas não consigo deixar de achar um absurdo que o "Grande Irmão" de George Orwell, que retrata o inferno na terra e a falta de liberdade de pensamento, seja posto agora como um modelo atual que as pessoas gostam e seguem. Se você não leu 1984 e nem viu o filme, sugiro que o faça. Depois de conhecer o universo deste livro, como é possível achar "BBB" legal? São pessoas comuns levando o conceito "mimético" ao extremo!

A questão toda é que as pessoas desistiram de procurar no seu íntimo pelo seu desejo. No geral, estamos mais conformados em seguir os modelos estabelecidos, que fazer essa busca pessoal por aquilo que nos trás alegria.
Só sei que alguns modelos não me convencem. Quero mais é partir pra busca da minha felicidade real. É uma aventura...

27 janeiro 2011

Amar é...

As pessoas têm uma visão muito distorcida e medrosa do amor. Sou uma daquelas que ama todo mundo. Mesmo tendo sido muito calejada pela vida, acho que não perdi o olhar simplista de uma criança, nem o sentimento. Se gosta, gosta. Se não gosta, não gosta. Qual é o grande problema em gostar de alguém?

Entendo que se quero alguém na minha vida (e nem precisa ser pra sempre), então a amo. Não acho que o amor seja atrelado a nada além disso.
Pode ser que existam "níveis" de amor, de paixão, de desejo, mas pra quê complicar tanto as coisas? "Adoro, mas não amo. Quero o bem, mas não gosto." E por aí vai... Amar é muito mais simples que isso, não precisa argumentar, racionalizar nem entender, apenas buscar no seu íntimo.
Amar é se jogar sem medo na vida e se deixar sentir aos outros na sua forma mais plena. Nunca entendi bem essa coisa de que o amor vem do coração. Talvez pela forma como flui e transmite energia ao corpo, mas isso também é só mais uma teoria.
Particularmente, busco muito mais por compreensão que amor. Quando a gente se sente compreendido de verdade, o amor já está lá. A compreensão, diferente do amor, não funciona sozinha.Posso amar alguém sem compreender ou me sentir compreendido. É possível amar alguém e não ser correspondido, mas não dá para compreender alguém que não queira ser compreendido ou visto em essência. É muito mais profundo e exige muito mais empenho (e sentimento).
Eis o que eu acho: a compreensão, essa sim, é o melhor sentimento do mundo. A compreensão faz com que a gente se sinta menos sozinho no mundo.

É, acho que era isso o que eu tinha pra dizer... Alegre

Good Vibrations

Não sou, nem nunca fui, uma pessoa de crença, de fé. Não acredito nas coisas que dizem por aí, não gosto de religiões em geral, não rezo. Acredito, no entanto, que somos abastecidos de energia. Acredito, também, que as relações humanas entre si e com a natureza podem render energia extra ou esgotar a energia de alguém. Quem nunca se sentiu fraco depois de uma discussão, sem disposição e energia pra nada? Ou mesmo no trabalho, quando se sente esgotado em todos os sentidos. Bom, nisso eu acredito.

Pra mim Deus é essa energia. Ele não é um ser personificado, barbudo, que julga e pune as pessoas. Acho que existe sim uma vibração pulsante que nos abastece e interliga a todos, algo como o que chamam de “Superior”.

Ultimamente vem-se falando muito no tão esperado dia 21 de dezembro de 2012. Primeiro me sinto no dever de compartilhar que dia 21 de dezembro foi o dia que o meu pai morreu, em 1995. Desta forma, a data em si já me traz um significado. Porém não creio em cataclismos, julgamento final, catástrofes e fim do mundo.

Nos últimos anos pesquisei sobre religiões, assisti a documentários polêmicos, fui a centros espíritas, li livros e pensei muito. Aliás, mais que pensar, vivenciei muito as minhas próprias experiências conscientemente.

Eis que tudo isso culmina para uma mesma coisa: energia e evolução.

O documentário Zeitgeist, que já de cara mete os dois pés no peito nas crenças religiosas, explica astronomicamente o que é o 2012. Vale a pena assistir, mas o resumo disso é que Hórus (Egito), Mithra (Pérsia), Dionísio (Grécia), Krishna (Índia), e outros tantos como Jesus, todos nasceram anunciados por uma estrela no dia 25 de dezembro de uma virgem, operaram milagres, tiveram 12 discípulos, foram crucificados, morreram e ressuscitaram depois de 3 dias.

A explicação disso vem da compreensão do homem sobre o Sol e a vida que ele possibilita para nós. Sem sol, sem vida. É por isso que ele foi idolatrado e endeusado por diversas culturas. Antigamente usava-se muito das personificações para criar mitos que passassem essa compreensão adiante de forma mais lúdica através das gerações.

Foi assim que o sol, anunciado pela estrela Sírio – a mais brilhante – nasce no céu noturno do dia 24 e se alinha a três outras estrelas – Três Reis - conhecidas aqui como “Três Marias”. Assim, pelo alinhamento que aponta o nascimento do Sol, os Três Reis “seguem” a estrela Sírio. A Virgem Maria é a constelação Virgo, que tem por símbolo um virgem segurando trigo. Virgo é também conhecida por “Casa do Pão”, que representa Agosto e Setembro – meses de colheita . Jesus nasceu em Belém, certo? Belém vem da tradução de Bethlem, que por sua vez significa “Casa do Pão”. Ou seja, Belém é um lugar no céu, não na Terra.

Por três dias, o Sol se mantém na Constelação de Crux “parado” depois de ter se movido por seis meses na direção sul. Isso simbolizava a morte das colheitas. Depois desses três dias, porém, ele renasce ao norte, trazendo época de dias mais longos e colheitas melhores. Entendeu?

Bom, 2012 é o ano previsto para o final da Era de Peixes e início da Era de Aquário, uma era que visa “humanidade”.

Séculos de história nos mostraram como nos submetemos por tanto tempo ao poder da palavra da Igreja. Deus, aquele barbudo com chicotinho na mão, era o responsável por tudo de bom ou ruim que acontecesse. A população nascia numa determinada camada social que seria a sua para o resto da vida. Não havia ascensão de status, mas todos estavam amparados e acolhidos por Deus.

Depois da Inquisição e de uma Igreja desmascarada por Martinho Lutero, esse poder diminuiu e os questionamentos começaram. De repente as pessoas não se sentiam mais amparadas por Deus, afinal toda a fé que depositavam na Igreja caiu por terra junto aos padres corruptos, que não seguiam seus votos de castidade e pobreza. A insegurança espiritual levou a uma busca por algo em que acreditar, uma explicação para Deus que não fosse dada pela Igreja. Foi assim que passamos os últimos 600 anos nos acomodando enquanto esperamos por uma resposta. Lutamos pelo nosso espaço, pela individualidade e por uma tecnologia que nos amparasse, já que não havia mais em quem se apoiar.

Hoje, próximos da troca de Era, nos achamos inquietos. Não há mais com o que se ocupar. Descobrimos a ciência, desenvolvemos tecnologia, nos fechamos na segurança de nossas casas, nos escravizamos num sistema monetário e inventamos várias formas de entretenimento enquanto esperávamos por uma resposta sobre Deus, sobre a vida e todos os porquês.

Não há mais o que buscar. Sobrou apenas essa inquietação. Por quê? Bem, dentre minhas leituras, estamos entrando numa fase acelerada por causa de alinhamentos e do Cinturão de Fótons. Estudamos direitinho no colégio, então lembramos que massa maior atrai massa menor – lei da gravidade – e a Terra é atraída para o Sol. Estamos numa espiral em direção ao Grande Astro, o que vem deixando nossos ciclos menores e mais acelerados. Isso não é percebido, afinal – lei da relatividade – estamos parados em relação à Terra. Porém, vemos vivendo de forma mais acelerada e inquieta.

Depois de tentar entender o cristianismo – nunca consegui -, o budismo, o espiritismo e o espiritualismo, dentre outras, acabei criando uma fé própria. O mais engraçado é que este livro A Profecia Celestina, que eu tanto gostei e que tanto aparece nesse texto, assim como o documentário Zeitgeist culminam para alguns pontos em comum. O mais engraçado ainda é que algumas religiões também falam das mesmas coisas e filosofias.

É tudo uma questão energética. Somos munidos e sugados constantemente de energia. As relações humanas se dão por troca de energia, por aquela empatia ou “química” que nem sempre soubemos explicar. Quando um casal briga, nada mais faz do que disputar energia um do outro.

A Profecia Celestina tem uma explicação excelente para tudo isso. Mas antes, preciso falar de psicanálise explicar Lacan, e como eu , particularmente, interpreto o amor. Até o século passado, o amor era baseado na necessidade. Os casais se completavam: ele trabalha, ela cuida da casa. Essa necessidade mútua funcionava. O amor, hoje em dia, não se baseia mais na necessidade, mas na vontade. Existe individualidade dentro de um relacionamento. Cada pessoa tem suas vontades e princípios, tem seus amigos, passatempos, gostos e necessidades. Desta forma, não dá pra pensar que um relacionamento gera uma nova maneira de ser.

A mulher enfrentou diversos obstáculos para chegar onde está hoje. Temos independência financeira, liberdade de voto, de expressão e de fazer aquilo que nos der na telha! Não precisamos mais de homem, queremos! E é aí que entra o trecho do livro que eu tanto gostei. Nele, um psicólogo explica que a paixão é aquele sentimento que arrebata e nos infla com uma energia maravilhosa. Cada um é como um “C” que tem sua energia rodando até bater numa ponta e depois volta e fica caminhando neste vaivém. Ao encontrar a sua “metade”, os dois formam um “O”. Neste círculo tudo parece perfeito, pois a energia flui continuamente. Depois que passa a paixão, no entanto, as disputas por energia começam e aquele “O” já não funciona mais. Quando dois indivíduos são bem resolvidos quanto às suas necessidades e lidam bem com a forma de obter energia (alimentos, pensamentos, natureza etc), eles já são completos em si. Assim, quando dois “O”s se encontram, um só tem a agregar ao outro. Amar é transmitir e captar energia. Quando dois inteiros se amam, um emana energia ao outro, sem sugá-la.

O ponto que eu queria chegar é que essas pesquisas me levaram a um lugar comum. Mesmo alguns filmes, como Avatar, vêm trazer ao público uma noção de tudo isso que falei. E não só Avatar, mas Matrix, Wall-e (já vou explicar), Zeitgeist e todos aqueles filmes que tentam contar histórias de amor que não pareciam possíveis, mas, por algum motivo, são.

Filmes como Wall-e e Zeitgeist, assim como o tão citado livro A Profecia Celestina, sugerem que temos tecnologia o suficiente para desenvolvermos máquinas que façam tudo por nós até não mais dependermos do sistema monetário e possamos passar nosso tempo como bem entendermos. Utopias à parte, é interessante.

É chegada a hora sermos inteiros. As nossas buscas devem ser feitas com alegria e sem arrependimentos – foi o que tirei do budismo, e acho incrível. Acredito que buscamos a felicidade, mas esta não pode ser carregada de culpa, deve ser limpa e cheia de boas energias.

Mais um dia... (texto de 2008)

Mais um dia, como outro dia qualquer, na casa de algum vizinho copaniano. A vida continua a mesma, exceto por um sentimento estranho que chega acompanhado pela entrada do meu pai pela porta. Somos só nós dois e uma sensação de que a eternidade mora naquele segundo. É quase como um transe e a memória é uma bruma. Entro em estado de um sono tão grande que ele me coloca nos ombros como se eu fosse uma menina de novo, ou como se nunca tivesse deixado de ser, e me leva ao meu apartamento.

Meu pai me coloca na cama e segue em direção à porta. Eu explodo em lágrimas e abro o coração:

- Pai, não me abandona de novo?

Ele se volta para mim, pega um jornal na minha cama que, de alguma forma demonstra meu sentimento em alguma matéria que explicita o assunto.

- Eu não vou à lugar nenhum. Quero viver pra sempre.

E é nesse momento que eu me sinto totalmente amparada, como se nada no mundo pudesse ser ruim. Existem segundos que são tão intensos que nos fazem sonhar como uma vida inteira que não foi ou que pode vir a ser.

Dormir já não me interessava mais, mas fiquei quietinha ao ver que meu pai sentou na minha escrivaninha. O modo como se identificava com qualquer material que pudesse produzir arte é incrível. Ele pegava os materiais com confiança, como se fossem seus e soubesse exatamente o que fazer em seguida. Fiquei em êxtase, pois sempre quis vê-lo pintando. Sem interrompê-lo, comecei a procurar por papéis na minha pasta, pois sabia que não eram fáceis de achar e, também, porque sentia certa vergonha da minha arte guardada lá dentro.

Então o desenho foi terminado: um frame tirado de um desenho animado qualquer que envolva ursos em estantes embaixo de uma lamparina. Definitivamente eu não esperava por isso, mas não podia ser mais fofo. Na estante desenhada haviam vários brinquedos, mas um em especial ele me apontou: ficava no cantinho e mal se notava. Era uma boneca de pano velha. Apenas sorri e tirei de trás do travesseiro a original. Eu também não tinha esquecido e ela ainda estava comigo todos os dias.

Depois de sentir que tudo isso era real, a vida começou a entrar nos eixos. Como um ótimo cozinheiro, meu pai já quis saber o que havia na despensa pois pretendia fazer o jantar.

Descemos na garagem para ver a despensa e pegar algo que nos fosse útil. Nesse momento uma amiga chegou. Meu pai nos deixou lá embaixo e subiu para começar o jantar. Ela precisava pegar algo no carro e eu precisava relatar os últimos acontecimentos!

Havia uma fila para pegar carros e, sem perceber, entramos nela e ficamos lá conversando. Em um dos pilares apareciam números decrescendo conforme as pessoas pegavam seus veículos. Era uma incógnita como os manobristas simplesmente sabiam os números, que mais pareciam códigos de barra, sem perguntar nada a ninguém. E de repente olhei para aquela contagem regressiva: era minha vez. Foi aí que acordei...

Uma tristeza e indignação me invadiram e eu apenas disse:

- Que mancada... :(